domingo, 15 de abril de 2012

Tristes e mortiços; é assim que ficam os meus olhos quando penso em ti. Falaciosa noção de intimidade. Costumava amar-te e ter-te sempre comigo, ocupando sempre a minha cabeça. Agora, começas a falhar-me, eu começo a falhar-te e a falhar-me. Já não passa de um vazio, já não passo de um vazio porque, na verdade, isto acaba por ser um vazio falsamente preenchido, ao qual eu me agarrava como se fosse a minha salvação. Acabou por se revelar um bilhete, só de ida, para o local mais negro e sem vida de mim.

sábado, 14 de abril de 2012

- Porque choras assim, tão violentamente?
- Porque era tudo perfeito, sabes? Eu era feliz contigo e era tudo perfeito, tão fácil e natural como respirar. Mas perdeu-se. Perdeu-se tudo; perdeu-se a felicidade; perdemo-nos nós... Era tudo tão fácil e perfeito...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sou imatura e fujo quando me assusto ou quando tenho medo de alguma coisa. Muitas vezes, só preciso de alguém que me dê a mão com intenções verdadeiras de me puxar para fora do meu esconderijo e mostrar-me que não há nada a temer. É preciso que esse alguém tenha paciência e consiga aguentar a minha cobardia em esconder-me do que me assusta, do que é demasiado grande para mim.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Estava habituada a tomar conta de todos, a manter toda a gente unida e inteira, por assim dizer. Fui tomando conta de pessoas que não precisavam de mim para nada, deixando, se calhar, os silenciosos necessitados de fora. Que falta de sensibilidade. Ocupei-me disso de tal maneira que me esqueci de mim e da minha necessidade de também ficar unida e inteira. Fui deixando pedaços caírem por aí, sem me dar conta realmente do que tinha perdido. Agora que estou pronta para mim, reparo que não estou inteira e que há muitas coisas importantes que ficaram para trás, perdidas por aí. Nenhuma é recuperável, é apenas remediável.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A cada novo dia e a cada aleatória conversa, vai tudo evoluindo. Vou sonhando mas ao mesmo tempo vou tentando manter os pés na Terra. Não consigo deixar de pensar que isto rascunhos daquilo que será a minha felicidade futura. Não completa satisfação, há zangas e desacordo na maior parte das vezes. Há falta de paciência mas também há bons momentos de cumplicidade. Fecho os olhos e lá estás tu, quase sempre. Acabas por ser o meu paraíso negro.

sábado, 7 de abril de 2012

Estou nervosa, mesmo muito nervosa. Não sou capaz de respirar em condições e tenho um aglomerado de borboletas na barriga, se é que isso é possível. Tenho saudades tuas e não sei como vai ser voltar a ver-te. Preciso mesmo de um abraço teu.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Dizes que precisamos ambos de crescer e mudar para eventualmente virmos a funcionar bem. Concordo contigo. Aceito o desafio. Mas não é por ti, é por mim. Preciso de crecer antes de poder fazer seja o que for, seja com quem for. Não sou capaz de dizer se ainda tenho coração porque neste momento não o sinto. É como se no lugar dele estivessem apenas as leves cinzas do que antes era um coração ardente. Mas é assim que tem de ser e é assim que vai ser, daqui em diante. Serei eu e as cinzas do meu coração, no mundo que antes era nosso.